segunda-feira, 30 de abril de 2012

2012: o Ano da Energia Sustentável

As Nações Unidas elegeu 2012 o Ano da Energia Sustentável Para Todos. No Brasil, a bola da vez é a energia eólica, que desde 2010 vem ampliando seu peso na matriz energética graças em boa parte ao investimento de grupos estrangeiros que aportaram no país após a crise na Europa e nos EUA. A meta do Governo Federal é mais do que duplicar a participação desse tipo de fonte dos atuais 1,1% para 2,3% até o fim do ano. Parece pouco, mas é um grande avanço pela rapidez da evolução. A energia eólica começou a ser utilizada no país em 2004, e a perspectiva do Ministério de Minas e Energia é que até 2020 ela responda por 6,7% do total produzido.

Para o engenheiro mecânico Everaldo Feitosa, vice-presidente da Associação Mundial de Energia Eólica e presidente da Eólica Tecnologia, a perspectiva do governo ainda é tímida. Ele acredita que até 2020, a energia eólica possa representar 10% da matriz: “A energia eólica é hoje a fonte mais barata no Brasil. Não tem sentido a contratação de outra mais cara, o que geraria ônus para a população, por isso a tendência é a contratação desse tipo de fonte limpa”.

Feitosa ressalta que uma conjunção de fatores naturais e econômicos tem estimulado o crescimento da participação da energia eólica no Brasil. O país, lembra ele, tem excelentes jazidas de vento e complementaridade entre o regime de vento e de água: os meses de secas nos rios são os que têm os melhores ventos. “Esses dois fatores são presentes divinos que nós tivemos”, ressalta.

As jazidas de vento, de acordo com Feitosa, estão concentradas basicamente em cerca de 70% nos estados do Nordeste e 30% no Sul. Mas, como o sistema brasileiro é integrado, uma central eólica contribui para a geração de energia para todo o país. A chefe do Laboratório de Energia Eólica da Faculdade de Engenharia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Mila Avelino, explica que a implantação dos parques eólicos apresenta vantagens com relação à distribuição de energia: “A região costeira, além da vantagem de estar mais próxima dos centros de consumo e dos fornecedores de equipamentos, é favorecida, em termos de logística de distribuição de energia, pela infraestrutura disponível”.

Além da contribuição da natureza, a economia também deu uma força para que o Brasil passasse a investir mais na energia eólica: câmbio favorável, incentivos fiscais e a crise internacional foram fatores que ajudaram a estimular o mercado de energias renováveis, que há dez anos buscava decolar no país.

“Todo mundo falava que energia eólica era cara. Com a crise financeira no exterior, os custos de equipamentos diminuíram muito, principalmente o de turbinas eólicas. Assim, foi possível fazer com que a energia eólica competisse com todas as outras matrizes em termos de custo de geração de energia. E sem qualquer subsídio. Até mesmo em nível mundial, o preço da energia eólica no Brasil é o menor do planeta: cerca de R$ 100 por megawatts/hora (MWh)”, ressalta Feitosa.

Atualmente, existem cerca de 5.300 MW (megawatts) em projetos eólicos autorizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Mila acredita que a instalação, nos próximos anos, de cerca de 7 GW (gigawatts) de potência nova já contratada, aumente ainda mais o interesse de fabricantes e representantes de empresas estrangeiras especializadas em energia eólica em investir no Brasil: “Em uma década, temos potencial para virmos a ser o principal mercado de energia eólica da América Latina, com cerca de 30 GW de capacidade instalada”.

No início do mês, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 389 milhões para a construção de cinco parques eólicos na região Nordeste: quatro no Rio Grande do Norte e um na Bahia. Os projetos foram vencedores do Leilão de Fontes Alternativas de 2010 e integram o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo o BNDES, os investimentos do país em energia eólica atingiram, no ano passado, R$ 5,1 bilhões, sendo R$ 3,4 bilhões de financiamentos do banco.

A exigência do BNDES, para aprovar um financiamento, de que 60% dos materiais sejam fabricados no Brasil forçou empresas estrangeiras fabricantes de turbinas eólicas a instalarem indústrias no país, o que têm promovido também um desenvolvimento industrial e tecnológico.

“Os países que mais fazem promoção de energia limpa são os mais poluentes. Na Alemanha, por exemplo, 60% da matriz é carvão, já na Espanha 65% são combustíveis fosseis. Existiu na ultima década muita propaganda, mas todos têm uma matriz muito suja. O único país altamente limpo era, foi e será o Brasil”, aposta Feitosa.

Notícia retirada do Instituto Carbono Brasil.

Do esgoto, fez-se a luz

Pesquisadores norte-americanos apresentam equipamento capaz de tratar o resíduo e, ao mesmo tempo, gerar energia elétrica. Miniestação desenvolvida pela Unesp trata o esgoto e o aproveita para fazer biogás.

No Brasil, cerca de metade dos municípios possui coleta de esgoto, embora apenas 30% tenham estações que tratem esses dejetos antes de despejá-los na natureza. Tratar esse material orgânico é necessário para não poluir rios e mares, bem como evitar a proliferação de doenças infecciosas e transmitidas por parasitas. Agora, imagine o benefício que traria um equipamento que, além de tratar esse resíduo, ainda o utilizasse como fonte de produção energética. Pois essa máquina já existe.

Pesquisadores do Instituto J. Craig Venter, nos Estados Unidos, passaram 10 anos trabalhando no projeto que levou à criação desse dispositivo, apresentado no congresso da American Chemical Society (ACS). Com o tamanho de uma máquina doméstica de lavar roupas, o aparelho usa as bactérias que se desenvolvem em meio à matéria orgânica dos dejetos para fazer biomassa, combustível utilizado para gerar energia elétrica. "Nosso protótipo consegue processar cinco vezes mais resíduos urbanos do que os que tínhamos feito antes. Podemos trabalhar com 380l de dejetos por semana", anunciou, em videoconferência, a professora assistente de eletromicrobiologia do instituto e líder da pesquisa, Orianna Bretschger.

No total, 13% desse combustível feito a partir dos resíduos que passam pelos encanamentos das cidades se tornam energia. Pode não parecer muita coisa, mas Bretschger citou exemplos de como isso já traz, sim, impactos positivos para a sociedade. "Nossos testes foram feitos na estação de tratamento de esgoto de San Diego [na Califórnia]. Se implantássemos o dispositivo definitivamente no local, conseguiríamos ter eletricidade para abastecer 125 mil moradias a cada ano", calculou. A equipe da especialista, no entanto, quer ainda mais: pretende construir um aparelho maior, com eficiência de converter 25% do material em energia elétrica, o que tornaria a usina de tratamento autossuficiente em termos energéticos e ainda beneficiaria a comunidade local.

Outro ponto positivo está na questão do esgoto em si, já que, ao ser tratado simultaneamente à produção de combustível, 97% da matéria orgânica é removida. Não chega a fazer com que a água se torne potável, mas permite que o líquido seja utilizado em descargas de banheiro e o torna menos danoso ao meio ambiente.

Ideias como essa seriam muito bem-vindas no Brasil, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Tanto que a Superintendência de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética da companhia vai publicar, até o fim deste mês, uma chamada de projetos sobre o tema. "Isso criará incentivos para os agentes do setor elétrico investirem no aproveitamento de resíduos sólidos e líquidos para geração de eletricidade, que pode ser injetada na rede de distribuição para compensar a energia consumida em prédios e serviços públicos e, caso sobre energia, comercializada por agentes do setor", explicou, por nota, a superintendência do órgão, destacando que a iniciativa do Instituto J. Craig Venter poderia ser aplicada nas redes de coleta de esgoto nacionais. "Desse modo, o tratamento e a destinação de resíduos deixam de ser uma despesa e passam a gerar receitas. Isso é um excelente sinal econômico para as prefeituras construírem estações de tratamento pelo País."

Clima favorável
De acordo com Fabio Stacke, especialista em regulação da Aneel, as condições climáticas interferem muito quando se faz tratamento de resíduos. "O Brasil tem excelente potencial com essas medidas porque faz calor, tendo a temperatura ideal para a proliferação de bactérias que vão decompor o material orgânico", afirmou. Essa é a razão pela qual projetos nesse sentido podem ser ainda mais bem-sucedidos no País do que em nações como os Estados Unidos e a Alemanha, que já têm grandes trabalhos no setor, mas sofrem com o frio no inverno.

Inicialmente, os cientistas que trabalham com Orianna Bretschger pretendem apenas tornar seu dispositivo mais viável comercialmente, para ser usado em comunidades pequenas e com poucos recursos financeiros. "Acredito que ele estará no mercado nos próximos 15 ou 20 anos. Conseguimos retirar nossa experiência do laboratório e transpô-la para a vida real há pouco tempo. Então, só agora nosso foco é melhorar a tecnologia para que o aparelho seja competitivo em termos de venda", explicou a cientista.

Invenção nacional
Embora não seja tão pequena quanto a norte-americana, há uma máquina que trata o esgoto e o aproveita para fazer biogás desenvolvida pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). A miniestação de tratamento de esgoto (mini-ETE), implantada no campus de Guaratinguetá da universidade, foi desenvolvida por professores do Laboratório de Otimização de Sistemas Energéticos, coordenados pelo professor e engenheiro mecânico José Luz Silveira. "Nossa miniestação funciona há cerca de cinco anos. Tem capacidade de coletar até 70m³ de esgoto diariamente, produzindo 24m³ de biogás. Com essa energia, é possível manter funcionando um motor de 3,3kW de potência [como os existentes em motosserras]", descreveu Silveira. O processo de produção de energia e de eliminação dos resíduos orgânicos é parecido com os do dispositivo feito no Instituto J. Craig Venter.

"Ter uma máquina dessas agrega valor ao tratamento de esgoto, que por si só proporciona, a baixo custo, o saneamento básico para comunidades isoladas. Esse valor agregado é obtido pela redução de metano na atmosfera, feita quando se usa o biogás para gerar energia elétrica", descreveu o professor. Essa eletricidade produzida, de acordo com Silveira, garante a autossuficiência da própria mini-ETE e pode ser utilizada na iluminação pública.

Outro aspecto positivo de sua criação é que o biofertilizante - desenvolvido a partir da matéria orgânica parcialmente consumida pelas bactérias - pode ser aproveitado como adubo tanto em hortas familiares quanto em pequenas áreas agrícolas. Além disso, essas mesmas regiões de agricultura podem ser irrigadas com o líquido purificado.

Notícia retirada do Jornal da Ciência.

Economia verde, sem pobreza, artigo de Antonio de Aguiar Patriota

Em junho, o Brasil sediará a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, conhecida como Rio+20.

O momento é oportuno: são claros os sinais de que os modelos de desenvolvimento vigentes devem ser reformulados. Países, sem distinção de grau de riqueza, enfrentam graves crises econômico-financeiras, a desigualdade social, a fome, o desemprego, a perda da biodiversidade e a mudança do clima. Essas múltiplas crises apontam a atualidade e urgência da implementação de modelos de desenvolvimento sustentável, ou seja, de projetos nacionais que contemplem, de forma equilibrada e integrada, o crescimento econômico, a inclusão social e a proteção ambiental.

A Rio+20 é a oportunidade para que esse debate ocorra no mais alto nível. A Conferência será fundamentalmente diferente de sua antecessora, a Rio-92. A Cúpula realizada há 20 anos representou a finalização de longos processos de negociação, culminando na assinatura de importantes documentos e convenções. A Rio+20, por sua vez, olha para o futuro, construindo uma nova agenda para o desenvolvimento sustentável. Se a Rio-92 representou um ponto de chegada, a Rio+20 pode ser vista como um ponto de partida.

Uma das prioridades do Brasil na Rio+20 é a discussão da erradicação da pobreza e do fortalecimento de fluxos financeiros e tecnológicos para a implementação dos compromissos de desenvolvimento sustentável, que exigem significativos recursos públicos, privados e políticos.

A agenda da Rio+20 se organiza em torno de dois grandes temas. O primeiro é a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza. Sobre esse tema, vem-se observando acordo geral entre os países sobre alguns aspectos: não existe um modelo único de economia verde; e não se pode considerar a economia verde sem relacioná-la à erradicação da pobreza - ou seja, a objetivos de inclusão social.

Cada país formulará sua própria concepção de economia verde, de acordo com sua realidade nacional, os recursos de que dispõe e seus desafios de desenvolvimento. No Brasil, por exemplo, estará baseada no amplo uso de energias renováveis, no efetivo combate ao desmatamento, na elevação dos níveis de renda de milhões de brasileiros. A adoção de padrões únicos de economia verde a todos os países poderia gerar distorções, tais como a criação de barreiras comerciais, o que aprofundaria disparidades entre os países, agravando problemas sociais, sobretudo nos países em desenvolvimento.

O segundo tema é a governança para o desenvolvimento sustentável. Em outras palavras, trata-se de adequar as estruturas do sistema ONU de forma a fortalecer o multilateralismo, reduzir o déficit democrático e proporcionar maior integração entre as dimensões social, econômica e ambiental do desenvolvimento sustentável.

A Rio+20 poderá prestar contribuição decisiva ao enfrentamento do aquecimento global, pois o desenvolvimento sustentável é a melhor resposta aos desafios associados à mudança do clima. O Brasil teve papel-chave na recente Conferência de Durban, contribuindo, por meio de sua liderança e propostas, para resultados positivos. Graças a Durban, estão dadas as condições para um intercâmbio construtivo sobre aquecimento global na Rio+20, com impacto potencialmente relevante em favor do fortalecimento do regime internacional. Isso, claro, sem pretender duplicar as negociações intergovernamentais, cujo espaço legítimo é a Convenção Quadro de Mudança do Clima das Nações Unidas.

O mundo olha para o Brasil, anfitrião da Rio+20, com expectativa de liderança. Dispomos de credenciais sólidas para isso, como nação que se encontra na vanguarda das energias limpas e renováveis e também das políticas de crescimento econômico inclusivo. O Brasil demonstra que é possível crescer e incluir, proteger e conservar.

Como disse em janeiro a presidente Dilma Rousseff, no Fórum Social Mundial em Porto Alegre, queremos que, a partir da Rio+20, a palavra "desenvolvimento" apareça sempre associada ao adjetivo "sustentável".

Antonio de Aguiar Patriota é ministro das Relações Exteriores. Artigo publicado no jornal O Globo.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Energia solar ajuda a manter cultivo de uvas no deserto do Atacama

Imagem: BBC
Uma parceria entre uma das maiores produtoras de frutas frescas do Chile e uma companhia de energia renovável alemã resultou no uso de energia solar para irrigar parreiras no deserto do Atacama, um das regiões mais secas do planeta.

Instalados no Vale de Copiapó, painéis capturam energia solar e ajudam no cultivo das uvas

"Queríamos aproveitar a oportunidade que o deserto de Atacama oferece", afirmou José Miguel Fernandez, da companhia produtora de frutas Subsole, enquanto caminhava entre os painéis solares.

"Este projeto está de acordo com nosso compromisso com o ambiente para as gerações futuras e é uma forma de fazer com que outros produtores de frutas nos sigam", disse.

Os painéis para capturar a energia solar estão instalados no Vale de Copiapó, em uma área pequena que parece perdida em meio às colinas e montanhas do Atacama.

A região é um oásis verde no deserto e as parreiras da Subsole são cultivadas graças às reservas subterrâneas de água.

As bombas de água do sistema de irrigação dessas plantações é movida por eletricidade gerada pelos painéis solares, que se aproveitam da fartura de luz existente na região norte do Chile.

O Atacama é considerado o deserto mais seco da Terra, com os mais altos níveis de luz solar do mundo. As nuvens aparecem apenas cerca de 30 dias por ano e área para instalação dos painéis não falta.

No entanto, painéis para captação de energia solar não são comuns na região.

Capacidade
A capacidade de geração de energia é de apenas 300 kWp (kilowatt-pico) - o bastante para gerar energia para um prédio de 20 andares. Mas, Roberto Jordan, da subsidiária chilena da companhia de energia renovável alemã Kraftwerk, afirma que eles são os primeiros a trabalhar com uma instalação de tamanho industrial em todo o deserto do Atacama.

Para Jordan, o deserto é capaz de produzir muito mais energia.

"Há sol o bastante, há terra o bastante, então devemos mesmo explorar mais", disse.

Protestos
Apesar de todo o potencial do Atacama, apenas 4% da energia elétrica consumida pelo Chile vem de fontes renováveis, tais como a energia solar, geotermal, eólica e das ondas do mar.

Combustíveis fósseis importados, por sua vez, são usados em 60% da produção de energia elétrica do país. O restante é suprido por usinas hidrelétricas.

O anúncio feito pelo governo no ano passado de que cinco novas usinas hidrelétricas seriam construídas na região da Patagônia deflagrou uma onda de protestos.

Projetos como esse, segundo o governo, são cruciais para suprir a crescente necessidade de energia do Chile. A demanda no país deve dobrar nos próximos anos devido ao boom da mineração chilena.

Contudo, aos poucos o governo tem prestado mais atenção em energias renováveis.

"Nós precisamos dobrar nossa capacidade de suprimento de energia elétrica nos próximos 10 anos", afirmou Gabriel Rodriguez, da chancelaria chilena.

"Nós dependemos muito da energia hidrelétrica, que é problemática por causa do impacto ambiental. Carvão, gás e petróleo nós temos que importar. Por isso é essencial investir na energia renovável", disse.

Após tomar posse em 2010, o presidente Sebastian Piñera delineou um plano para que até 2020 ao menos 20% da energia usada no país venha de fontes renováveis.

A opção mais atrativa no campo da energia renovável, tanto para o Estado quanto para a iniciativa privada, é a energia solar - principalmente devido à queda nos custos da tecnologia usada pelo setor.

Segundo a Kraftwerk, o preço dos painéis solares caíram cerca de 30% em 2011 e devem sofrer redução ainda maior neste ano.

Mas, a migração dos combustíveis fósseis para a energia limpa pode ser complicada: a Subsole, por exemplo, teve que conseguir financiamento do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento)

"Emprestamos US$ 32 milhões (R$ 58 milhões) porque o projeto é muito importante. O governo está querendo mudar a matriz energética criando fontes alternativas de energia. Queremos participar disso", disse Maria Urriba, representante do BID no país.

Mineradoras
Segundo Urriba, o governo chileno deve investir no setor da energia renovável principalmente para suprir a necessidade das empresas mineradoras instaladas no Atacama.

A extração de cobre na região é responsável por 70% das exportações do Chile e as mineradoras consomem aproximadamente metade da energia produzida no país.

"O deserto do Atacama tem condições perfeitas para aproveitar a energia solar", disse Urriba.

A mineradora estatal Codelco está construindo em parceria com a empresa espanhola Solapark uma planta de energia solar próxima à cidade de Calama.

Uma vez em funcionamento, a usina fornecerá 1 megawatt de energia para a maior mina de cobre do mundo, a Chuquicamata.

Ainda não é possível saber se o Chile alcançará sua ambiciosa meta de que a energia renovável represente 20% do consumo do país em 2020, mas certamente o país começa a perceber o potencial do Atacama.

Notícia retirada do Estadão.

Cientista brasileiro precisa de ajuda para gerar patente

O Brasil precisa aprender a fazer patentes. Esse foi o recado de Benoît Battistelli, presidente do EPO (Escritório Europeu de Patentes), na sua passagem pelo País durante o mês de abril.

O EPO, que reúne 38 países europeus e analisa patentes três vezes mais rápido que o Brasil, firmou uma parceria com o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), para treinar brasileiros a escreverem os pedidos.

Hoje, só 20% das requisições que chegam ao INPI são concedidas. Isso acontece em parte por causa de textos com problemas ou de inovações não tão novas assim - como as já publicadas em artigos.

Confira a entrevista.

O EPO está firmando uma parceria com o Brasil para promover um "road-show" que ajudará os inventores brasileiros a escreverem patentes. Como surgiu essa ideia?
Benoît Battistelli - O número de pedidos de patentes de brasileiros no EPO dobrou nos últimos cinco anos. Na Europa, temos programas para orientar a patentear e estamos contentes em dividir isso com o Brasil.

Como está o cenário europeu em relação a pedidos de patentes?
Tivemos um crescimento de 4% dos pedidos de patentes no EPO no ano passado. As empresas europeias decidiram manter suas atividades em pesquisa e desenvolvimento e continuar fazendo requisições de patentes apesar da crise. Isso mostra um uso econômico importante para as patentes.

Mas depois da crise houve uma queda dos pedidos.
Tivemos uma queda em 2009 como um efeito direto da crise econômica. Mas em 2010 nós atingimos o nível de 2008 e agora temos 4% a mais. Isso é um bom sinal de que estamos aproveitando a crise para gerar inovação.

No Brasil, três das cinco instituições que mais têm pedidos de patentes são universidades: USP, Unicamp e UFMG. Fazer patentes é uma missão das universidades?
É uma missão das universidades e das empresas - e não só das grandes empresas ou altamente tecnológicas, mas também das pequenas. Em universidades americanas, as patentes são muito importantes e ajudam o desenvolvimento dos próprios laboratórios. Trata-se de uma ferramenta importante para instituições públicas ou privadas, grandes ou pequenas.

Mas patentes são importantes para as universidades a ponto de serem tidas como um indicador de qualidade? Rankings universitários dão pontos para as patentes.
Na maioria das metodologias de avaliação de ensino superior, a produção científica [artigos publicados pelos pesquisadores] vale muito mais do que a quantidade de patentes. Mas penso que isso deveria ser melhor balanceado. Hoje, os cientistas priorizam a publicação de artigos. Mas, se você publica uma descoberta, você perde o direito de pedir uma patente.

Europeus têm dificuldades para escrever patentes?
Há pessoas especializadas para ajudar os inventores a escrever suas patentes. No EPO, fazemos uma qualificação anual para essas pessoas, que são normalmente engenheiros altamente qualificados. Meu conselho é que as universidades tenham pessoas capacitadas a ajudar tanto na elaboração dos textos dos pedidos de patentes quanto na introdução da inovação no mercado.

Qual a visão do EPO em relação às empresas que tentam prolongar a duração de suas patentes?
O interesse de quem patenteia é ter uma patente pelo maior tempo possível. Mas nós, nos escritórios de patentes, representamos o interesse da sociedade. Nosso objetivo é limitar a patente para que ela represente um progresso técnico. Nós somos muito rigorosos no EPO: apenas 40% dos pedidos de patentes são concedidos. Quando concedemos a patente a uma pessoa ou companhia, damos um direito ao monopólio por um período, que é de até 20 anos, em um país ou região. Muitas empresas americanas preferem fazer o pedido no EPO do que no EUA [no chamado USPTO] porque sabem que a patente europeia será mais sólida.

Notícia retirada do Jornal da Ciência.