A Motorola tem em sua história mais de 80 anos no setor de tecnologia e seus marcos da indústria de telefones incluem o lançamento de o primeiro telefone portátil do mundo há quase 30 anos e hit o StarTAC. Em 2008, a companhia adotou o Android como sistema operacional único em todos os seus dispositivos o que contribuiu para aproximação com a Google. A aquisição é mais uma iniciativa da companhia americana de internet para competir com a Apple, fabricante do iPhone e desenvolvedora do seu próprio sistema operacional móvel iOS. Os aparelhos 'Motorola + Google' seriam os únicos com capacidade de competir em configuração com uma integração total de software (Android) e hardware (Motorola) em uma plataforma própria.
Tudo pelas patentes?
O grupo está disposto a pagar pela propriedade intelectual da Motorola para proteger a lucratividade dos fabricantes de celulares com Android. No trimestre passado, 47 milhões de celulares equipados com o sistema foram vendidos, segundo o Gartner. Caso os fabricantes tivessem de pagar royalties --mesmo de apenas US$ 5 por aparelho, o que a HTC já paga à Microsoft-- aos diversos detentores de patentes, isso equivaleria a menos US$ 1 bilhão no lucro anual do mercado de aparelhos Android.
Se estimarmos um múltiplo de companhia em crescimento sobre esse lucros (digamos, 25), os montantes que estão em jogo ficam claros. Uma carteira mais forte de patentes permitiria que o Google reduzisse o ônus desses royalties por meio de acordos de licenciamento cruzado. Isso protegeria o lucro da empresa no mercado móvel, realizado por meio de sua divisão de publicidade para celulares, que, segundo a companhia, tem receita superior a US$ 1 bilhão.
É importante lembrar que a proteção dos direitos diminui a exposição para disputas judiciais pela autoria de tecnologias em smartphones. Em uma batalha de patentes com a Nokia, por exemplo, a Apple teve de pagar US$ 600 milhões à companhia finlandesa, além de oferecer royalties sobre a venda de iPhones.
E mais, lembram-se do que falamos aqui, o Google saiu enfraquecido na disputa por proteção intelectual depois de perder a oferta de um pacote de 6.000 patentes da Nortel Networks, de US$ 4,5 bilhões, para as concorrentes Apple e Microsoft. O presidente do Google, Larry Page, afirmou nesta segunda-feira que o fortalecimento do portfólio de patentes ajudará proteger melhor o Android de "práticas anticompetitivas da Apple, Microsoft e outras empresas".
Quem mais pode ganhar com esse negócio?
Microsoft, Nokia, Research in Motion --fabricante do BlackBerry-- e o setor de TV a cabo estão emergindo como possíveis ganhadores depois que o Google anunciou, nesta segunda-feira, a aquisição da Motorola Mobility por US$ 12,5 bilhões de dólares. Se outros fabricantes de celulares decidirem abandonar o sistema operacional Google Android, Nokia e RIM se beneficiariam.
A Microsoft pode se beneficiar se os fabricantes começarem a procurar por alternativas de software ao Android, disse Shaun Collins, analista da CCS Insight, apesar de clientes mostrarem poucos sinais de interesse nas tentativas da gigante de softwares de entrar no mercado de telefonia móvel.
Já as companhias de TV paga poderiam ter muito a ganhar caso o Google, que controlará a fabricação de decodificadores Motorola, modere suas iniciativas que perturbam o setor --como o YouTube. O Google há muito é visto como fonte de possível perturbação para a TV paga, primeiro com o YouTube e depois com o Google TV, ainda que nenhum dos dois tenha exercido o impacto negativo previsto sobre o setor.Com a aquisição, o Google vai se tornar um dos maiores fornecedores do setor de TV a cabo. Mesmo que os decodificadores físicos desapareçam, o software de cifragem e acesso condicional da Motorola continuará importante para o setor.
Enquanto isso, é improvável que a transação tenha impacto sobre os esforços da Apple para conquistar corações e mentes entre os usuários de celulares inteligentes, disseram analistas. Agora que o Google se tornará seu concorrente direto, a empresa poderá abandonar certos produtos do Google que utiliza em seus aparelhos.
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