sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

ONU diz que Brasil subaproveita seu potencial em energias renováveis

O Brasil ocupa uma posição de destaque na produção de energias renováveis, mas "poderia fazer mais esforços" em relação às energias solar e eólica, segundo a Conferência da Organização das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), que publicou nesta terça-feira (29) um relatório sobre o tema.
"O Brasil, devido ao seu clima e à sua superfície, possui um enorme potencial em termos de energia eólica e solar, mas não explora de forma suficiente sua capacidade nessas áreas", disse Anne Miroux, diretora do relatório Tecnologia e Inovação - Potencialização do Desenvolvimento com Energias Renováveis, da Unctad.
Ela diz que o Brasil se concentra em setores "maduros", como os biocombustíveis e a geração de energia hidrelétrica, criados há décadas. "O Brasil está entre os principais países que produzem energias renováveis, mas não em termos de energias modernas, como a eólica e a solar, nas quais nos focalizamos hoje", diz Miroux.

Investimento
O relatório da Unctad revela que o Brasil foi o quinto país que mais investiu em energias limpas no ano passado, totalizando a soma de US$ 7 bilhões. A China, com o valor recorde de US$ 49 bilhões, liderou os investimentos em energias renováveis em 2010, seguida pela Alemanha (US$ 41,1 bilhões), Estados Unidos (US$ 30 bilhões) e Itália (US$ 14 bilhões).
O Brasil, segundo dados do instituto voltado para estudos na área de energias renováveis REN 21, citados no relatório, é o quarto principal país em termos de capacidade de produção dessas energias, incluindo a hidrelétrica.
Mas o país não está entre os cinco principais em relação à capacidade de produção de energia eólica (liderada pela China) ou solar. O relatório da Unctad afirma que os países do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) "estão fazendo avanços tecnológicos significativos nos setores eólico e solar".
"A China está fazendo grandes esforços em relação ao uso de energias renováveis. Um dos grandes problemas do país são suas centrais térmicas que utilizam carvão. A transição não é simples e não pode ser feita de um dia para o outro", diz Miroux.

Metas ambiciosas
A diretora do estudo ressalta que o Brasil "está no bom caminho" com o objetivo "notório" de desenvolver as energias renováveis, apesar de ainda 'não fazer o suficiente' em relação às energias solar e eólica. Ela elogiou a meta fixada pelo governo de que 75% da eletricidade produzida no país seja proveniente de energias renováveis em 2030.
"O Brasil é um dos raros, talvez o único, a ter uma meta tão ambiciosa", afirma Miroux, que questiona também se as enormes reservas do pré-sal poderiam colocar em risco a estratégia atual de desenvolvimento das energias limpas no país.

Tecnologia
Segundo o relatório, os investimentos globais em energias renováveis saltaram de US$ 33 bilhões em 2004 para US$ 211 bilhões no ano passado - um aumento de 539,4%. O crescimento médio anual no período foi de 38%.
Apesar dos números, a diretora do estudo alerta que ainda faltam "centenas de bilhões de dólares" para aperfeiçoar as tecnologias nos países em desenvolvimento e expandir o uso das energias renováveis no mundo. De acordo com o relatório, as energias renováveis oferecem uma oportunidade real para reduzir a pobreza energética nos países em desenvolvimento.

Notícia retirada do G1.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011


Capacidade de energias renováveis da UE pode crescer 80% até 2020

Uma nova análise da Agência Europeia do Meio Ambiente (EEA), desenvolvida pelo Centro de Pesquisa de Energia dos Países Baixos (ECN) e publicada nesta segunda-feira (28), revelou que a capacidade de energias renováveis da União Europeia poderá aumentar em 80% até 2020.
De acordo com o documento, esse crescimento deve ser impulsionado pelas metas de energias renováveis do bloco, que até 2020 se comprometeu a gerar 20% de sua produção energética a partir de fontes renováveis. Atualmente, 11,7% da energia usada na Europa vêm de fontes renováveis, e a taxa de aumento da utilização destas fontes também é de 11,7%.
Segundo o estudo, 43% de toda essa produção de energia renovável será destinada para sistemas de calefação. O transporte só utilizará 12% desta produção, mas é o setor onde haverá mais aumento da utilização de renováveis entre 2005 e 2020.
"Essa análise é particularmente oportuna, vindo quando os representantes governamentais se reúnem para discutir as mudanças climáticas em Durban. Isso ilustra a escala do comprometimento da Europa em transformar seu setor energético", explicou Jacqueline McGlade, diretora-executiva da EEA.
Entre os diferentes tipos de energias renováveis, a capacidade instalada de energia de biomassa e de eólica onshore deve dobrar nos próximos dez anos, enquanto a capacidade solar fotovoltaica deve triplicar nesse mesmo período, e a capacidade de energia geotérmica e de solar térmica deve quadruplicar.
Já outras fontes renováveis devem ter um crescimento maior na próxima década. A energia de ondas e marés, por exemplo, deve ter sua capacidade instalada aumentada em 11 vezes, assim como a energia solar concentrada.
Mas o primeiro lugar deve ficar com a eólica offshore, que pode ter sua capacidade aumentada em 17 vezes para mais de 44,2 GW, embora outro relatório, da Associação Europeia de Energia Eólica (EWEA), aponte que esse crescimento da capacidade deve ser de dez vezes.
Ainda assim, a pesquisa da EWEA oferece dados bastante positivos sobre a energia eólica offshore. A análise diz que o investimento anual em turbinas offshore pode atingir  10,4 bilhões até 2020 e  17 bilhões até 2030, criando 169 mil empregos, atingindo 150 GW até 2030 e podendo suprir até 13,9% da demanda total de eletricidade da UE.
O setor de energia eólica offshore pode repetir o sucesso do desenvolvimento da tecnologia eólica onshore, que é a agora a principal fonte de energia competitiva para com as novas usinas de carvão e gás, e uma grande indústria europeia, declarou Arthouros Zervos, presidente da EWEA.
No entanto, o documento da EEA ressalta que mesmo todo esse aumento na capacidade instalada só servirá para atingir a meta de 20% de energias renováveis para 2020. Para uma participação maior das renováveis, um crescimento maior teria que ser implementado. 
Com um esforço conjunto podemos e devemos ir ainda mais longe para introduzir as fontes de energia renovável. Queimar combustíveis fósseis ameaça a estabilidade de nosso clima, e nossas análises mais recentes têm mostrado que a poluição das usinas de energia de carvão e de gás está custando à Europa bilhões de euros por ano em custos de saúde , comentou McGlade.
Já o estudo da EWEA lembra que todo esse desenvolvimento depende da vontade política das autoridades europeias. Para garantir que isso aconteça, as autoridades da UE precisam estabelecer metas de energias renováveis ambiciosas para além de 2020, investir mais em pesquisa e desenvolver uma rede offshore”, finalizou Zervos.

Notícia retirada do Instituto Carbono Brasil.
Ano de 2011 é o 10º mais quente; degelo no Ártico é recorde

O aumento na temperatura tornou 2011 o décimo ano mais quente desde 1850, quando os cientista passaram a mediar o clima mundial, segundo a WMO (World Meteorological Organization).
O relatório da agência de meteorologia ligada à ONU, que fornece um panorama no planeta, indica também que a extensão do gelo ártico é o segundo menor.
Os dados, divulgados nesta terça-feira durante a COP-17 (17ª Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas), mostram que a temperatura sofreu uma pequena redução pela ação do La Niña, fenômeno que costuma provocar o resfriamento das águas do oceano Pacífico, mas ainda assim 2011 foi considerado quente para os padrões.
"Nossa ciência é sólida e prova inequivocadamente que o mundo está se aquecendo, e esse aquecimento é em razão da atividade humana", comentou o secretário-geral da WMO, Michel Jarraud.
Jarraud acrescentou que as emissões de gases-estufa estão em seus níveis mais altos, fazendo com que haja um aumento de 2 a 2,4 graus Celsius na temperatura global.
Segundo estimam cientistas, esse cenário pode levar a mudança profundas e irreversíveis do planeta Terra, da sua biosfera e de seus oceanos.
A WMO também alertou para o degelo que ocorre no Ártico. Em 9 de setembro deste ano, a área do gelo chegou ao patamar de 4,33 milhões de quilômetros quadrados.
O número é 35% inferior à média registrada entre 1979-2000 e um pouco mais do que o recorde mais baixo já registrado em 2007.

Notícia retirada do Estadão.

Entenda o que é a conferência do clima na África do Sul

A COP-17 (17ª Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas), que começou nesta segunda-feira na cidade sul-africana de Durban, enfrenta grandes desafios para manter viva a luta contra a mudança climática.

Veja as principais questões para entender a conferência:

1. Que é o COP-17?
É a 17ª Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas. Realizada em Durban de 28 de novembro a 9 de dezembro, é o fórum multilateral mais amplo (com 195 países) para discutir e adotar medidas contra o aquecimento global.

2. Quais foram os resultados da COP-16 (cúpula anterior), realizada em 2010 em Cancún, no México?
A cúpula de Cancún devolveu a esperança de se obter um acordo internacional para a luta contra a mudança climática depois do fracasso da edição de Copenhague (COP-15).

Apesar de não ter apresentado solução à questão mais complexa --a renovação de um segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto--, a reunião mexicana conseguiu despertar a vontade dos países emergentes de se comprometer com a redução das emissões, uma das principais exigências das economias ocidentais.

Além disso, foi criado o Fundo Verde para o Clima, que disponibilizará aos países em desenvolvimento US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020 voltados para energias mais "limpas" e ao combate das alterações climáticas.

Cancún designou um Comitê Transitório para traçar os mecanismos do fundo, que canalizará as contribuições dos países ricos aos em desenvolvimento, cujo objetivo é criar um novo marco econômico em que todos concorram em igualdade de condições.

3. Quais são os grandes debates em Durban?
A renovação do Protocolo de Kyoto

O Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 e que entrou em vigor em 2005, estabeleceu compromissos legalmente vinculativos de redução de emissões de gases do efeito estufa para 37 países desenvolvidos e a União Europeia. O acordo não foi ratificado pelos Estados Unidos e não obriga que China, Índia e Brasil o cumpram por serem economias emergentes.

O protocolo expira em 2012 e os negociadores estudam um segundo período de compromisso que sirva de transição para um novo acordo internacional juridicamente vinculativo.

Os países em desenvolvimento consideram imprescindível que as economias ocidentais ratifiquem esse segundo período de compromisso do Protocolo, enquanto Rússia, Japão e Canadá anunciaram que não renovarão o tratado enquanto seus concorrentes comerciais, China, Índia e Estados Unidos não assumirem compromissos similares.

A capitalização do Fundo Verde para o Clima
O Comitê de Transição, estabelecido por mandato da cúpula de Cancún e formado por especialistas de diferentes âmbitos, trabalhou durante este ano no desenvolvimento dos mecanismos do Fundo Verde.

As desavenças sobre as fontes de financiamento, a forma de acesso aos fundos, a participação da iniciativa privada e as ações que poderiam se beneficiar desses recursos acabaram impedindo um acordo a mais de um mês antes da reunião de Durban, com a recusa dos EUA e da Arábia Saudita em assinar o texto.

Os negociadores devem resolver suas diferenças para conseguir liberar as contribuições econômicas necessárias e estimular as economias em desenvolvimento a adotar compromissos.

A redução de emissões para limitar o aquecimento global a 2 graus centígrados

Os cientistas situam o limite máximo de aquecimento global em 2 graus centígrados sobre a temperatura anterior à era industrial como ponto ideal para que não haja consequências climáticas fatais. Para chegar a esse objetivo, os países devem analisar como reduzir ainda mais a emissão de gases causadores do aquecimento global.

4. E após Durban?
Os países voltarão a se reunir no Catar (COP-18) ao final de 2012. No entanto, caso não se acerte em Durban um segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto, ele expirará em 2012, invalidando o único acordo de vínculo legal para a redução de emissões de gases de efeito estufa.


Notícia retirada do Estadão.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Energia solar a R$300/MWh é viável ou inviável?

Alexandre Spatuzza
Editor Revista Sustentabilidade
Em meio ao forte debate sobre Belo Monte e sua implicações para as políticas de energia nacionais, a Cemig anunciou a construção de uma usina solar fotovoltaica de 3MW que vai custar entre 20 a 30 milhões de reais para construir, com a possibilidade de gerar a energia, abaixo de R$300 por MWh.

Estes números são de extrema importância, pois insere de vez um viés mercadológico em um projeto piloto, tido pela maior parte da sociedade brasileira como experimental. Não estamos falando de R$ 500/Mwh, nem de R$100/MWh e nem de R$77/MWh, o custo da energia de Belo Monte. Estamos falando de um preço abaixo de R$300/MWh, cerca de US$180/MWh.

Para alguns, este é um preço alto que comprova a inviabilidade da energia solar como fonte importante, pois o nosso sistema energético é calcado nos menores preços e maiores estabilidade de fornecimento. Para outros, o preço indica a viabilidade da solar.

Na verdade, é importante conhecer o projeto como um todo e como ele se insere nas tendências do setor. Se de um lado, os avanços tecnológicos e ganhos de escala no mundo têm reduzido os custos dos equipamentos solares em até 40% ao ano, do outro a Cemig, a sua parceira espanhola, Solaria, e as universidades mineiras vão também investir em pesquisa para melhorar a eficiência, os custos e inserção da energia solar na rede brasileira.

Minas Gerais não está sozinha. No nordeste, a MPX, do Eike Batista, já tem uma usina de !MW que gerará conhecimento. No sul, a Eletrosul está investindo pesado em solar. No norte, a Eletrobrás lançou um centro de pesquisas solar. E em todo país, universidades pesquisam esta tecnologia que pode não só se beneficiar de anos de experiência em locais isolados da rede elétrica no Brasil, mas também de esforço para melhorar a qualidade do silício, material que o Brasil exporta.

Portanto, se estamos falando em R$300/MWh em 2012. Em 2013, este preço pode ser significativamente menor, talvez abaixo de R$180/Mwh. Em 2014, quem sabe, próximo de R$130/MWh. A este nível, é possível competir com fontes térmicas e, como mostra o setor eólico, o preço continuará caindo à medida que os contratos são conquistados, escala e um financiamento adequado do BNDES, e poderá se aproximar da hídrica em cinco anos, com uma composição importante da tecnologia nacional.

Estou sendo otimista? Um pouco, mas basta olhar as tendências do mercado internacional, para ver que é uma expectativa realista se as peças se encaixarem

É importante no entanto, colocar em perspectiva a questão solar. Para arriscar um trocadilho infame, nem tanto ao 'sol' e nem tanto à terra. A inserção da energia solar na nossa matriz, 70% hídrica e não poluente, vai ser paulatina. Diferentemente dos países da Europa, que têm urgência na redução de emissões, o Brasil tem um pouco menos urgência, como discutimos no nosso especial de energia, o que pode atrapalhar. (http://issuu.com/cleantechbr/docs/energi_eficiencia_e_renovaveis ).

Por enquanto, como necessitamos de muita energia barata na nossa fase de crescimento – para não afugentar investimentos e garantir acesso da população mais carente – a solar por enquanto vai ser complementar. Mas temos que discutir com detalhes não só a sua produção fotovoltaica em grande escala, mas também a microgeração distribuída e, é claro, a geração solar por concentração, na qual o Brasil tem um alto potencial (citados por uns em 16GW de capacidade instalada potencial). Diz-se que a solar de concentração já sai a R$180/MWh.

Mas para chegarmos lá precisamos de duas coisas básicas: conhecimento e planejamento. E saber, principalmente, que os R$300/MWh de hoje poderão ser R$130/MWh amanhã, enquanto os R$100/MWh da energia hidrelétrica de hoje poderão ser R$180/MWh amanhã por causa das restrições ambientais.